Sandro Meda

Em absoluto, a inquietude

Estas palavras são para si, que não se sente surpreendido... como para si, que não se contém de espanto. Para reflexão de todos, a avassaladora polarização de conceitos e de tendências, numa luta titânica, como nunca tivemos, entre o que se pretende que seja e o que se deseja ter... O automóvel continua a ser o espelho da inquietude humana: nada está garantido. Nem o futuro das máquinas.

O design moderno e eficiente impressiona, mas é o nostálgico que atrai. Os motores encolhem no tamanho e no consumo, mas é a promessa de performance que se aplaude. Anseia-se pelas soluções da autonomia e dos automatismos, aspira-se à mobilidade relaxada e descontraída, mas é a adrenalina do limite, os instintos mais “selvagens” que apaixonam. Os SUV aligeiram-se, modernizam-se e ficam mais ágeis, mas não conseguem fugir à sombra dos maiores, mais rústicos e pesados. Impõe-se o silêncio da eletricidade, mas é o grito dos números, em kW, km, Volt, e Ampere que mais se ouvem. E até os símbolos da racionalidade, que só queriam existir, já insistem repetidamente no poder do encanto, da imagem e da figura.

No fim, a política, como tantas vezes, é capaz de ajudar a deturpar tudo, mas até lá, é esta incerteza que cala as vozes que garantem haver pouco de novo na paixão automóvel; que a rapidez, massificação e velocidade da informação anularam a novidade; banalizaram a opinião e extinguiram a surpresa. Nas páginas seguintes desta edição verá que a indústria já reaprendeu a guardar segredos, e que a surpresa ainda consegue assumir a forma de total novidade; e é isso que torna ainda mais importante o olhar, o filtro, a observação, a análise e o enquadramento que, acredito, diferencia e realça o resultado da longuíssima jornada de trabalho que a equipa do Autohoje traz até si nas páginas seguintes. E depois sim, o fantástico novo mundo automóvel deixa de ter surpresas.

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